| Essa fantasia eu fiz quando cheguei em casa do trabalho, às 19:00, para ir no concurso de marchinhas de carnaval https://pt-br.facebook.com/concursodemarchinhasmestrejonas/ naquela mesma noite. Fiz, vesti e, sem melindre, virei melindrosa. Pra lá de bom. As franjas do vestido me lembravam as da fantasia de melindrosa que usei aos 7 anos, quando pela primeira vez pulei carnaval na rua (como porta estandarte). Me maravilhei com as longas franjas rubras da saia feita por mamãe, e rodava para ver o efeito delas, mais do que para mostrar o estandarte.⠀.⠀O pé até que doía, mas dos 7 aos 70 anos, fazer das dores sonhos é caminhar o caminho da felicidade. Naquela ocasião, aos meus 7 anos, minha mãe me colocou de porta estandarte na única escola de Samba da minha cidade. Desde então meu coração batuca: 🥁 preparar fantasias, encontros e abraços são coisas que aprendi a amar desde cedo. Nas voltas da vida, minha mãe mudou de escola de samba. Ajudou a criar uma outra e ainda foi da diretoria. Nem pensou em me levar. Sabia que eu não iria. Mas sempre disse que sonhava em me ver de destaque em um carro alegórico de sua escola. O tempo passou, as tais escolas da cidade acabaram e o carnaval ficou de luto. Anos depois, eu já na segunda faculdade e meus pais já idosos, as escolas combinaram de desfilar, sem concorrer, e a oportunidade apareceu. Aí veio outra história: sobre concretizar sonhos. Minha mãe me pediu para ser destaque de carro alegórico na escola de samba dela. Era seu sonho, aceitei e ela ficou retumbante de felicidade. Quando vi a fantasia, dei pra trás. Era um lindo e pesado suporte com plumas, ao estilo dos destaques cariocas. Exatamente ao estilo dos destaques cariocas, imagine: o que me cobria eram dois pontos e uma virgula ! Me neguei a (des)vestir. Meus pais já idosos, ficaram desconsolados. Meu pai veio conversar comigo sobre os extremos (des)amor, (des)consideração e (des)respeito que envolviam o fato. Em resumo: pela falta de empatia com minha mãe. Então, contra os meus (pré)princípios, me (des)vesti e sambei com toda a glória de um destaque e com direito a foto no jornal da cidade. Minha mãe do chão, sambava junto, e se molhava, não de suor, mas de lágrimas. Era um sonho de 20 anos que se realizava. Quando penso nisso hoje, sei que foi das coisas mais lindas que já fiz na vida. Com empatia e respeito pelo sonho do outro você consegue iluminar um mundo. E por isso gostei do bloco “Todo mundo cabe no mundo” https://pt-br.facebook.com/todomundocabenomundo/ É desse carnaval que gosto: INclusivo no sentido de ser oportunidade de festa para todos. EXclusivo no sentido de ser único – para cada um. Que seja assim. E que consigamos aproveitar a curta passagem pela vida dando o melhor de cada um. Encontrando a paz dentro de si e a espalhando em cada esquina. E a felicidade segue atrás, pois, afinal, “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. E assim seguimos com nosso carnaval pela vida. Se eu trabalhasse com outra coisa não me sentira tão realizada. Como sempre gostei de arte, tentei trabalhar por outros rumos antes de ser médica. Não me coube. Com o diploma na mão, diante da possibilidade de trabalhar com várias especialidades, optei pela geriatria. Ouvir o paciente, descobrir estórias, resgatar o melhor de cada um e ver “reviver” pessoas que se pensava(m) no fim da vida não tem preço. Vale também um pouco de amor pelo que você faz e por quem fez o mundo que hoje está por aí. Porque aos poucos virá a despedida e esse caminho merece ser de glória. Pois quem foi rei nunca perde a majestade. E com respeito pelo outro, o carnaval fica bom para todo mundo. |
Coronavírus e idoso: é preciso evitar os contatos.
Domingo, 22 de março de 2020, Belo Horizonte. O Ministério da Saúde confirmou até o momento 1.546 casos de COVID-19,
