Sobre a novela e a morte

Um exemplo de cuidado paliativo: a morte de Alberto na novela Bom Sucesso Diante da doença terminal,você colocaria sua vida em risco para realizar um sonho?

Na enquete que fizemos sobre os momentos finais da novela Bom Sucesso e a morte do personagem Alberto, 94% das pessoas responderam que, sim, diante de uma doença terminal, colocariam sua vida em risco para realizar um último sonho. E que fariam a mesma escolha em se tratando de um familiar.
Com relação a morrer em casa ou no hospital, alguém respondeu que estar no aconchego do lar nos seus últimos dias é um grande presente, mas também houve quem teve dúvida e quem preferia que a morte ocorresse no hospital.
Nossa enquete, com apenas 33 respostas, não representa o que as pessoas ao nosso redor pensam sobre o morrer, mas vale para levantar a dúvida.

Conversar e pensar sobre a morte é algo difícil em nossa sociedade.
Em uma pesquisa feita em 2018 pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), 74% dos entrevistados admitiram que o tema era evitado nas conversas; 55% concordaram que “é importante conversar sobre a morte, mas as pessoas geralmente não estão preparadas para ouvir”; 30% disseram não saber como ou com quem falar sobre morte; e 10% acreditavam que falar sobre atrai a morte. Para 48%, falar sobre o assunto foi considerado depressivo, para 28% mórbido; e 7% acreditavam que falar sobre a morte é sinal de fraqueza.

Os brasileiros associaram a morte a sentimentos difíceis, como tristeza (63%), dor (55%), saudade (55%), sofrimento (51%), medo (44%). Somente uma pequena parcela fez associação com sentimentos mais leves, como aceitação (26%).

As pessoas com mais de 55 anos foram as que mais falavam sobre o assunto: 32,5% delas disseram falar cotidianamente; talvez porque a sintam mais próxima.

Dentre os entrevistados, 30% disseram ter muito medo de morrer; 68% concordaram com a frase “eu sei que a morte virá, mas não me sinto pronto”; e 45% disseram não se sentir sempre à vontade para ir a um enterro ou velório.

Essas dificuldades afastam o conhecimento sobre cuidados paliativos e, em última instância, a disseminação de serviços que ofereçam condições de serenidade e conforto durante os momentos da morte.
Isso não é assim em todas as culturas, e mesmo na cultura ocidental, nem sempre foi assim. Na idade média, época de pragas terríveis, altas taxas de mortalidade infantil e de violência, as pessoas viviam a vida de forma apaixonante, e não tinham medo de falar nem de se preparar para a morte.

Hoje, deixamos os velhos isolados em asilos, fora da nossa visão e dos nossos pensamentos. Morrer em hospitais, cobertos por tubos e fios, fez esquecer o antigo costume de falecer em casa – e as crianças raramente são colocadas diante do tema da finitude.

A pergunta “você tem medo de morrer?” pouco aparece. Os jornais estão lotados de suplementos sobre estilo de vida, mas não têm suplementos sobre “estilo de morte”.

Alguns grupos já têm falado sobre isso, comohttps://paliativo.org.br/ , http://infinito.etc.br/ , https://www.acasahumana.com.br/ e o movimento https://deathcafe.com/ , que já existe em várias capitais do Brasil.
Precisamos falar, pois, tanto quanto vamos viver, vamos morrer. Porque não nos preparar para isso?

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