Os idosos, assim como as crianças, sofrem muito os efeitos do verão na pele. Observe que a pele é o local onde primeiro notamos os sinais do envelhecimento. Surgem os primeiros sinais no rosto, as rugas, manchas, flacidez, ressecamento, cabelos grisalhos e finos, unhas quebradiças. ⠀.
A exposição crônica à radiação solar é a principal responsável pelas modificações em nossa pele.
Basta reparar que a pele, na área exposta ao sol, começa a apresentar os sinais característicos de uma pele “velha”, ao passo que a zona protegida da radiação (mamas, axilas, glúteos, abdome) praticamente não tem manchas nem rugas.⠀.⠀É inegável reconhecer que o sol é essencial. A exposição rotineira à radiação ultravioleta é necessária para a produção de vitamina D. Mas, curiosamente, tomar sol no começo da manhã não produz vitamina D. É no meio do dia, ao redor da hora do almoço, que a produção ocorre com mais intensidade (às custas da radiação UVB). Diante disso, surge a polêmica: não é justamente, nesses horários, entre 10h e 15h que devemos evitar a exposição ao sol devido ao risco do câncer da pele? ⠀.⠀No caso do idoso, a exposição ao sol de forma intencional e desprotegida não deve ser a principal fonte de produção de vitamina D, até porque a pele do idoso já não é tão eficaz na produção dessa vitamina. O prudente é que essa exposição seja feita por períodos de, no máximo, dez minutos, e que a reposição da vitamina, quando houver deficiência, seja feita via oral.⠀
O uso do protetor solar deve ser diário e não somente nos momentos de lazer.
Os produtos com fator de proteção solar (FPS) superior a 30 são os mais recomendados. ⠀ Muitas pessoas acabam se esquecendo dele, e ficam com queimaduras solares e a pele muito vermelha. Podemos aliviar esses sintomas com o uso de compressas de água fria, analgésicos e loções calmantes.Todo cuidado com a pele no verão é pouco em qualquer idade. Mas o idoso pede ainda mais atenção, devido ao maior risco de doenças de pele, como os tumores!
Os tumores malignos cutâneos
Eles se dividem em dois tipos: melanoma e não-melanoma. O primeiro é menos frequente, mas muito agressivoo. e
Surge como uma “pinta” nova (70% dos casos) ou como mudança em uma “pinta” já existente (30% dos casos). As mudanças podem ser em: cor, contorno, tamanho ou aparecimento de dor, coceira ou sangramento.
Os locais mais comuns são costas e pernas. No idoso, ele pode aparecer no rosto, couro cabeludo ou pescoço.
Os outros tumores de pele (carcinomas basocelular e espinocelular) habitualmente aparecem na forma de “espinha” que não cicatriza após 1-2 meses, ou de lesões com crescimento rápido e progressivo, com escamações e que às vezes doem ou sangram. As áreas mais expostas ao sol, como rosto, pescoço, antebraços ou couro cabeludo de homens calvos são as mais frequentes.
Outra doença é a queratose solar, actínica ou senil.
Doença muito comum após os 65 anos de idade. São aquelas pequenas manchas avermelhadas, ásperas, ressecadas, às vezes com escamas. Podem causar prurido/dor e podem, no futuro, se transformar em câncer da pele. Todas essas lesões são agravadas pela exposição ao sol. Daí a importância do filtro solar. Fique atento à cor, tamanho, relevo e forma das pintas e lesões na pele. Se detectar lesão nova e suspeita ou alteração numa lesão anterior, agende uma consulta médica.
No verão, também é importante falar das micoses.
Algumas pessoas percebem as micoses como doenças simples, e acabam não tratando. Mas é importante cuidar. Principalmente no idoso.
As micoses são infecções causadas por fungos e que podem ocorrer na pele, unhas e cabelos. Quando encontram condições favoráveis ao seu crescimento, como calor, umidade e baixa de imunidade, estes fungos se reproduzem e passam a causar a doença. Os pés, a virilha e as unhas são os lugares mais comuns em que elas aparecem, mas isso não significa que outras partes do corpo estejam imunes: axilas, região sob as mamas ou pele em geral.
Nos pacientes acamados, costumam aparecer nas costas, durante os períodos de calor. O tratamento tópico é suficiente na maioria das vezes, com uso de antifúngicos, na forma de cremes ou sprays para a pele ou de esmaltes para as unhas. Medicamentos orais geralmente são evitados nos idosos, por serem potencialmente tóxicos. No caso das unhas, o tratamento costuma ser longo, por vários meses.
A melhor forma de evitá-las é manter hábitos de higiene, como: secar-se bem após o banho, principalmente áreas de dobras da pele, como virilha, entre os dedos dos pés e axilas. Deve-se também evitar andar descalço em pisos constantemente úmidos (lava-pés, vestiários, saunas). Recomenda-se, ainda, evitar calçados fechados o máximo possível, optando pelos mais largos e ventilados. Importante também é usar somente o seu material para a manicure.
Micoses nos pés podem ser uma “porta de entrada” para uma doença mais séria, como erisipela ou sepse, principalmente em idosos com diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, etilismo ou insuficiência de algum outro órgão. Essas doenças são infecções bacterianas que necessitam de antibiótico. E podem matar.
Fique atento: nessa época de calor, prefira roupas de algodão e locais arejados; e tenha um cuidado especial com pacientes acamados ou que usem fraldas. Esses são os de maior risco.
Em suma, no verão, olhe sempre para sua pele e para a de seus idosos, observe, cuide e informe-se!
